É difícil não ouvir falar do referendo do próximo dia 11. É difícil não ouvir os mais variados comentários em todo o lado. Parece quase um lugar comum e este post pode parecer já a muitos “mais do mesmo”. A verdade é que eu própria pensei que deveria dizer alguma coisa sobre isto…sabem porquê? Choca-me ouvir tanta gente cheia de certezas, quer do lado do “sim”, quer do lado do “não”. Não sei como é possível encher a boca de ideias-feitas, chavões, ideias fixas e “bem formadas” sobre um assunto desta seriedade/complexidade…quando os biólogos discutem “o que é a vida”, chegando a poucas conclusões parece-me, no mínimo, arrogante, a existência de tantas certezas!
O que mais me inquieta e até aborrece é ver/ouvir a maior parte das pessoas e dos próprios entendidos no assunto a discutir muito sobre o que é a vida, se é ou não é, se o aborto é crime, se é ou não é, o que é um crime, etc., etc. Parece-me que o mais fundamental (do meu modesto ponto de vista…) seria perceber o que, do ponto de vista ético, acarreta uma decisão pelo “sim”. Pessoalmente, tenho poucas certezas e penso que o que devemos todos fazer não é estar à espera de certezas (que provavelmente nunca chegarão) mas perceber para que lado da balança pesa mais o prato.
Eu não sou a favor da penalização da mulher que aborta. Não concordo que seja chamada de criminosa. Parece-me que o aborto em si será sufientemente penalizador para a própria. Por outro lado o argumento do aborto como um atentado contra a vida deixa bastante a desejar do ponto de vista como é visto/interpretado pela lei: por que é que uma vida gerada a partir de uma violação é “menos” vida do que a gerada noutras circunstâncias? Por que é que a mulher violada que opta por abortar não é uma criminosa, mas antes uma vítima? Por que é que a mulher que é maltratada pelo marido, obrigada a manter com um mesmo um relacionamento violento do ponto de vista sexual é criminosa porque não quer um filho que viva num inferno? Estes paradoxos inviabilizam, do meu ponto de vista, o enveredar da discussão por esse campo. Muito temos ainda a aprender sobre a vida.
O que a mim me parece muito importante pensar é que o “sim” pode, perfeitamente” resvalar para a banalização de uma situação que deveria ser um caso extremo! O “sim” traz consigo um “podes, depende de ti, és livre de fazeres o que quiseres com o teu corpo”. Não concordo. O embrião não é o “nosso” corpo; é o corpo de outrém, ponto final. Sobre esse “outrém” não deveremos ter direito de decisão arbitrária. Não vamos aqui deiscutir o que é vida, o que não é,quando começa ou deixa de começar. Estou farta dessa discussão infértil. Votarei “não” pura e simplesmente porque me choca a ideia de o acto de abortar se banalizar. Não sei se aumenta, se dimimui…não posso prever o futuro, mas a banalização parece-me um perigo eminente e isso, choca-me. Estamos a falar de um outro ser.Julgo que o facto de não ser legalizado convida a uma maior prudência ou, pelo menos, a alguma restrição que seja. Só por isso votarei “não” embora com poucas certezas e muitas dúvidas. Todavia discordo do fanatismo que se gera à volta de ambas as posições. Os extrememismos aqui não fazem sentido e jogam contra si próprios. O que me parece também estranho? Termos a vida (seja lá ela o que for) a votos…
IM
Arquivo de Janeiro, 2007
Vida a votos
Pois é. É isso mesmo. Hoje fiquei inspirada por uma aula onde, a título de brincadeira e, num contexto conhecido, veio à baila a palavra “secante”, palavra esta tão usada, essencialmente por jovens. Ora bem, e tudo isto a propósito da Filosofia, entenda-se!…Então eu resolvi fazer aqui um pequeno jogo/associação de ideias para demonstrar a minha tese de que “A Filosofia (não) pode ser “secante”.
Pois bem; começe-se com uma rápida visita a um dicionário de Língua Portuguesa:
.secante 1- que seca.“Seca” lembra o quê? Lembra falta de água/calor e depois diverge em 3 sentidos: tragédia (seca), aridez (seca excessiva), descontração (calor=férias). Assim, a Filosofia é “secante”: ela remete para os grandes problemas da existência (as tragédias são humanas!); penetra nos terrenos áridos da vida humana (aridez), chega lá, esmiúça-os, tenta torná-los inteligíveis conferindo-lhes algum tipo de sentido; a descontração associada ao calor e às férias é um bom pretexto para reflectir….libertos das necessidades mais prementes, com o tempo mais aberto às escolhas, podemos dedicar-nos à reflexão…
.secante 2- linha ou superfície que corta; (na origem,siccare=cortar). lembra o quê? O que corta modifica, “magoa”, torna diferente; a filosofia “corta” com os nossos preconceitos, as ideas-feitas, corta com a concordância sonolenta com que acenamos aos mundo, corta com a nossa pretensão de coincidência com o mundo, “magoa” as nossas frágeis ilusões que se tornam mais fortes depois do “corte”; corta e ao cortar deixa uma cicatriz, a marca…
. secante 3- (adj.) que importuna. Lembra o quê? A filosofia “importuna-nos” porque nos abana, nos obriga a confrontarmo-nos com as nossas verdades e com o mundo cujo tecido julgamos conhecer. Incomoda, por isso.
Bem, penso que já chega!
Agora, parece não ser mais problema dizer que a Filosofia (não) é secante, pois não?
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IM
A pobreza
“A pobreza nao é um fenómeno natural. É resultado da acção humana e pode ser superada com as acções dos seres humanos”
Nelson Mandela
Everwake
Basta

Basta de sofrimento gratuito (há outro?), de abuso…este fim-de-semana vai estar aqui, mesmo perto de minha casa, um circo…um circo daqueles horrendos em que as palhaçadas estão tingidas de dor e infelicidade, de olhos tristes e vazios de animais desligados do seu habitat, roubados à vida e condenados a maus tratos, a sofrimento, tudo à conta da suposta diversão macabra, própria do Homem. Como é possível que em pleno século XXI, depois de todos os pogressos da Etologia, depois de tudo o que temos vindo a saber sobre as vidas dos animais, ainda “sustentarmos” circos deste tipo? Ficamos tristes? Abanamos a cabeça? Dizemos todos de consciêcia tranquila “eu não contribuí para aquilo”?
Infelizmente, os animais precisam de muito mais de nós do que apenas isso! Precisam que divulguemos o que se passa lá dentro, que alertemos as pessoas para a triste realidade dos circos…os animais precisam que NÓS façamos alguma coisa por eles…
Às vezes sinto-me um estranho marciano a tentar compreender o planeta Terra…falo com as pessoas, alerto-as, distribuo folhetos e algumas olham-me como se eu fosse verde, tivesse antenas, olhos grandes e amarelos!….
Os animais choram o nosso silêncio, a nossa condescendência…BASTA!!!!
http://www.tvanimal.org/index.php?option=com_content&task=view&id=22&Itemid=43
IM
Impossible
Nada é simples
Todas as semanas lá levo eu uma nova máxima para cada aula. São sempre máximas/pensamentos de outrém… agora vou deixar aqui uma minha, que me surgiu de repente, hoje, enquanto conduzia ao som de uma música inspiradora: Sunset 28 (Beseech)…
Nada é simples. A simplicidade só pode habitar num olhar desinteressado e acrítico. A complexidade é o pano de fundo de qualquer leitura séria daquilo a que podemos chamar “realidade”.
Onde vemos simplicidade, não vemos. Mas não vamos confundir “complexidade” com “confusão”, de modo algum…essencialmente porque a confusão é, com frequência, o resultado directo das visões simplistas e simplificadas. A complexidade é, aqui, sinónimo de interioridade, conhecimento, profundidade…
Pronto..já tive aqui o meu “momento de glória” lançando aqui uma máxima que, espero, os meus queridos alunos (principais utilizadores deste blogue) não deixem passar…em branco, entenda-se…
I. Maia
O Caminho da Vida
No percurso da vida julgamos ser donos de muitas verdades e certezas, procura-se encontrar o rumo da nossa vida… é dificil…não percebemos, vamos com demasiada pressa ou vamos perdidos, mas caminhamos sob aquilo que construimos, sob o que tentamos planear.
Não existe uma ordem das ideias acontecerem na nossa vida…mas procuramo-las, prócuramos o método para tentarmos presseguir o caminho da vida, sempre com pressa de chegar a nada e no fim a única certeza que nos espera
é a morte.
-Jorge Wagensberg: «Seguir rigorosamente um plano de pesquisa de ideias representa uma anestesia para a aintuição.»
-Walt Whitman: «Nem eu nem ninguém pode percorrer este caminho por ti. Deves ser tu a percorrê-lo. Não está longe, é acessível. Talvez se encontre em todo o lado, na água e na terra.»
Daniela A.

