Então, meus meninos e meninas, onde andais?, como diz o padre? Que fazeis, criaturas? Tendes estudado Filosofia???eheheheheh….
Vim aqui deixar um enorme beijinho (já com muitas saudades), desejar umas boas férias, inspiradoras…eu cá vou a banhos (isso é que era bom!!) e para a praia (para a sombra, pois está claro), cheia de leituras para fazer e sono para pôr em dia!!!
Aproveitem, porque não tarda nada, começa o Massacre II (Filosofia,11º) ou Ex-Massacre I e II para os meus ex que estão sempre presentes!
Portai-vos bem (como diz o padre), não apanheis escaldões (como diz outra vez o padre) e descansai (como ainda diz o padre)!!!!

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Mar (a)dentro!
O que nos espera?
Partilho, aqui, este belo texto, escrito por alguém de quem já tive oportunidade de falar várias vezes e que me marcou muito como professor e como pessoa: o Professor e Padre Anselmo Borges que escreve semanalmente no DN. Soube, como ninguém, apelar ao questionamento e fazer-me procurar o que julgava impossível.
Que nos espera?
por Anselmo Borges
Mesmo os mais distraídos colocar-se-ão, nas situações-limite, as velhas perguntas: donde vimos?, para onde vamos?, quem somos? Porque a realidade nos aparece por vezes exultante e, outras, horrorosa, e morreremos, perguntamos: o que é verdadeiramente?, qual o sentido da existência?, que andamos cá a fazer?, que nos espera?
Cada um de nós vivencia-se a si mesmo como presença de si a si mesmo: sou eu e não outro. Coincidimos, portanto, connosco mesmos. Mas, por outro lado, experienciamo-nos como não plena e totalmente idênticos. Somos nós mesmos e chamados a sermos nós mesmos, pois estamos ainda a caminho de nos tornarmos nós mesmos.
Precisamente deste paradoxo de sermos e ainda não sermos adequada e plenamente surge a nossa inquietação radical e a pergunta que nos constitui: afinal, o que somos?, quem somos?
Eu sou eu, mas ainda não sou o que serei. Cá está, portanto, a pergunta ineliminável: então, o que sou e quem sou? E que devo fazer para ser finalmente eu?
É assim que a pergunta pelo sentido não é uma questão adjacente, que pode colocar-se ou não. Ela é constitutiva do ser humano enquanto tal, questão fundamental da Filosofia, como viu A. Camus.
Sentido tem a ver com caminho, viagem e direcção – nas estradas, por exemplo, encontramos placas em seta a indicar o caminho e a direcção para alcançar uma meta, um objectivo, um destino. Qual é então o caminho e o sentido da existência humana? O que move a minha vida?
O Homem vem ao mundo por fazer e quer queira quer não tem essa tarefa constitutiva: fazer-se a si mesmo. E tanto podemos fazer de nós uma obra de arte como fracassar.
Einstein constatou que quem sente a vida vazia de sentido não é feliz e sobrevive mal. O Homem não pode viver sem sentido. Aliás, a existência humana está baseada na convicção do sentido. A sua própria negação ainda o afirma. No limite, não é possível o “suicídio lógico”, pois quem pegasse numa arma para suicidar-se, porque tudo é absurdo, negaria o absurdo e afirmaria o sentido.
O famoso psiquiatra Viktor Frankl, fundador da logoterapia, mostrou, a partir dos estudos que realizou com base na sua terrível experiência nos campos de concentração nazis, que a exigência mais radical do ser humano é o sentido, razões para viver. Contra Freud e Adler, no mais fundo de nós, mais do que a exigência de prazer e de poder está a vontade de sentido.
Nos campos de concentração, verificou que sobreviviam mais aqueles que ainda tinham um sentido para a existência: reencontrar a família, realizar uma obra, lutar para que nunca mais acontecesse o intolerável. O que significa que o sentido não está em nós, mas fora. Se estivesse em nós, não se colocaria a questão, pois estaria sempre presente. O sentido está no encontro com o mundo e com os outros: é saindo de si que o Homem vem a si. Dá um exemplo: quando se começa a ver pequenas manchas à frente do olho, é bom ir ao médico, pois está doente: o olho é intencional, isto é, não foi feito para se ver a si mesmo, mas o que não é ele. Paradoxalmente, só saindo de si é que o Homem encontra sentido. É o amor que dá sentido. Por isso, sente a vida como tendo sentido quem vê a sua existência reconhecida. A nossa vida não tem sentido, quando não vale para ninguém.
A existência caminha de sentido em sentido – o que vamos realizando. Mas, um dia, somos confrontados com a pergunta: qual é o sentido de todos os sentidos? Este é o núcleo da questão religiosa: o quê ou quem dá sentido último à existência, para que não fique na situação da ponte que não encontra o outro lado, a outra margem? Porque, sem o Sentido último, os caminhos de sentido não vão dar a lado nenhum.
“Conhecer Deus” era a maior esperança para João Bénard da Costa, que, por isso, podia dizer: “Acredito que esta vida não pode acabar aqui: nada faria sentido, para mim, se assim fosse”.
Melancolia…
…Hoje fui vigiar um exame do 9ºano…enquanto dava aos alunos algumas instruções para a realização do exame, olhava para aquelas criaturas e pensava “será que me vão entrar pela sala dentro em Setembro?”. Começar do zero. Não me pareceram que quisessem pensar muito…um olhar distante…será que os meus alunos também tinham este olhar na 1ª aula e eu é que não me lembro??? Será que também olharam e pensaram..”quem é esta? professora de quê???”…
Invadiu-me uma enorme melancolia…as aulas de que já tenho saudades e ainda acabaram há dias…os alunos…até dos sermões que às vezes passava tenho saudades!…
Enfim…”the show must go on”…
Em que mundo queremos viver???
Ora, cá está um vídeo que vale a pena ver e…pensar sobre as nossas atitudes, os nossos valores, o que desprezamos, o que valorizamos…em que mundo vivemos???
http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte
Aos alunos que “deixo”…
Foi difícil. Fiquei com um nó na garganta. Foi com bastante dificuldade que segurei as lágrimas que se insinuavam. Pensei que estava preparada, mas não estava. Não se está nunca, penso. É difícil deixar voar por sua conta os passarinhos que (também)cresceram sob as nossas asas. Tem-se sempre medo que eles se percam a voar, ou simplesmente que desistam de o fazer. Mas está na hora de voarem sozinhos e experimentar a beleza do voo picado. Está na altura de testar as asas. Resta-me esperar que nos encontremos algures, nesse enorme céu, onde as asas ganham vida e as perguntas se tornam o frio que as faz vacilar. As respostas, essas, estão ao alcance da nossa vontade e da nossa persistência. Voemos, então.
Puppy
Ora, aqui estão duas fotos do Puppy…o tal cãozinho que anda sempre por perto da Dra. Ana Paula lá da escola e que ela vai tratando, mas que precisa urgentemente de um dono que lhe dê carinho e cuidados. É um animal extremamente meigo e doce…


Uma máxima comentada
Outro dia propus a uma turma que fizesse um comentário livre a uma máxima do Gustafsson, pois queria ver o que aquelas palavras lhes sugeriam. Não era um trabalho de casa..nem todos entregaram. Todavia, houve comentários bem interessantes que passo aqui a publicar sem nenhuma ordem pré-definida!
“No fundo de cada pessoa há um enigma impenetrável. Só como enigma o ser humano assume toda a sua grandeza e transparência”.
L. Gustafsson
Comentário A
“(…) A máxima diz-nos que cada ser humano encerra em si algo que é desconhecido aos outros, tal como um enigma que as outras pessoas não conseguem decifrar. É algo que não se vê e que torna cada pessoa única. Esse enigma não é algo necessariamente mau que deva ser «escondido», pelo contrário, é algo que nos deixa sermos apenas mais um ser humano.
Nunca conhecemos uma pessoa por completo. Há sempre algo que desconhecemos acerca dessa pessoa. A máxima diz-nos também, que isso é o que torna esse ser humano tão extraordinário e grandioso. Se conhecessemos as pessoas por completo a vida acabaria por ser monótona. Assim, somos constantemente surpreendidos pelas pessoas que julgamos conhecer, pois na verdade não somos capazes de decifrar o enigma que cada um possui”.
Marta Freitas 10ºC
Comentário B
“As pessoas querem, sem dúvida, ser transparentes consigo e com os outros, mas não o são. O ser humano é esse ser sempre à procura da sua «humanidade» e do segredo que esta guarda. Há algo em nós de indecifrável, de incompreensível, que permanecerá sempre, e que é constituitivo do nosso ser. Aprender a viver e a estruturar-se com o enigmático parece-me ser um segredo para a compreensão do amanhã.
O enigma faz parte da nossa vida. Não é um resíduo, o que seria conveniente abolir de vez. Muito ao contrário; sem ele o ser humano não estaria numa contínua aprendizagem, essencial para ser Humano e conviver com o enigma.
Deste modo, o ser humano deve-se construir com esse «insuportável» que está nele.
O Homem eleva-se, quando procura sem cessar responder a um enigma.”
Tânia Melo 10ºC
Comentário C
“O ser humano tem que ser diferente dos outros para que se desperte interesse noutro ser humano. Este é o tal enigma que cada um de nós tem.
O interessante é que qeste enigma tem de ser apreciado e descoberto pelos outros seres humanos (…)”.
Joaquim Regadas 10ºC
Comentário D
“Dentro de nós há um desconhecido. Por mais que tentemos, por mais voltas que demos, nunca conseguimos nem conseguiremos conhecer-nos a nós mesmo por inteiro, muito menos os outros que nos rodeiam. De certa forma, podemos quase comparar esta situação à «história do burro e da cenoura». A única diferença é que o burro está sempre à mesma distância da cenoura e, neste caso, acho que com o passar do tempo e com as experiências que vamos tendo, estamos cada vez mais próximos de a alcançar, mesmo sendo inatingível. Por um lado, é isto que faz com que o convívio com as outras pessoas não seja monótono, e nos consigamos muitas vezes surpreender com elas, mas, por outro lado, nunca sabemos o que esperar de cada um”.
Sarah Oliveira 10ºC
The Zoom World
…é uma viagem fascinante até…
só vendo…até ao fim…fabuloso.
Obs: se andarem para a direita ou para a esquerda naquele cursor que está em cima, do lado esquerdo, a viagem torna-se cada vez mais rápida..
http://zoomquilt2.madmindworx.com/zoomquilt2.swf
Aula Livre…
…uma aula livre, discussão aberta, sem a pressão da campainha, para quem quis, sentiu vontade, quis ouvir e falar, pensar e discutir…foi muito reconfortante e compensador ver que quem estava ali, estava porque queria estar, com vontade de discutir ideias…estes momentos valem por todos os menos bons que se vivem numa escola…são estas pequenas coisas que ainda me fazem pensar que vale a pena continuar a acreditar que podemos, se quisermos, viver uma vida com sentido…
Momentos como os da aula livre de hoje fazem-me acreditar que é possível encontrar jovens conscientes, diferentes, questionadores, inconformados, lutadores…momentos que me fazem pensar que continua a valer a pena não vos deixar “adormecer”…que continua a valer a pena puxar pelos alunos, não deixar que se percam no sono dogmático da mesmidade…
Obrigada a todos os que estiveram dispostos a pensar…para os alunos do 10ºC que lá estiveram, bem-vindos à Filosofia “fora de horas”!!!
You can be connected