Arquivo de Janeiro, 2007

31
Jan
07

Vida a votos

É difícil não ouvir falar do referendo do próximo dia 11. É difícil não ouvir os mais variados comentários em todo o lado. Parece quase um lugar comum e este post pode parecer já a muitos “mais do mesmo”. A verdade é que eu própria pensei que deveria dizer alguma coisa sobre isto…sabem porquê? Choca-me ouvir tanta gente cheia de certezas, quer do lado do “sim”, quer do lado do “não”. Não sei como é possível encher a boca de ideias-feitas, chavões, ideias fixas e “bem formadas” sobre um assunto desta seriedade/complexidade…quando os biólogos discutem “o que é a vida”, chegando a poucas conclusões parece-me, no mínimo, arrogante, a existência de tantas certezas!
O que mais me inquieta e até aborrece é ver/ouvir a maior parte das pessoas e dos próprios entendidos no assunto a discutir muito sobre o que é a vida, se é ou não é, se o aborto é crime, se é ou não é, o que é um crime, etc., etc. Parece-me que o mais fundamental (do meu modesto ponto de vista…) seria perceber o que, do ponto de vista ético, acarreta uma decisão pelo “sim”. Pessoalmente, tenho poucas certezas e penso que o que devemos todos fazer não é estar à espera de certezas (que provavelmente nunca chegarão) mas perceber para que lado da balança pesa mais o prato.
Eu não sou a favor da penalização da mulher que aborta. Não concordo que seja chamada de criminosa. Parece-me que o aborto em si será sufientemente penalizador para a própria. Por outro lado o argumento do aborto como um atentado contra a vida deixa bastante a desejar do ponto de vista como é visto/interpretado pela lei: por que é que uma vida gerada a partir de uma violação é “menos” vida do que a gerada noutras circunstâncias? Por que é que a mulher violada que opta por abortar não é uma criminosa, mas antes uma vítima? Por que é que a mulher que é maltratada pelo marido, obrigada a manter com um mesmo um relacionamento violento do ponto de vista sexual é criminosa porque não quer um filho que viva num inferno? Estes paradoxos inviabilizam, do meu ponto de vista, o enveredar da discussão por esse campo. Muito temos ainda a aprender sobre a vida.
O que a mim me parece muito importante pensar é que o “sim” pode, perfeitamente” resvalar para a banalização de uma situação que deveria ser um caso extremo! O “sim” traz consigo um “podes, depende de ti, és livre de fazeres o que quiseres com o teu corpo”. Não concordo. O embrião não é o “nosso” corpo; é o corpo de outrém, ponto final. Sobre esse “outrém” não deveremos ter direito de decisão arbitrária. Não vamos aqui deiscutir o que é vida, o que não é,quando começa ou deixa de começar. Estou farta dessa discussão infértil. Votarei “não” pura e simplesmente porque me choca a ideia de o acto de abortar se banalizar. Não sei se aumenta, se dimimui…não posso prever o futuro, mas a banalização parece-me um perigo eminente e isso, choca-me. Estamos a falar de um outro ser.Julgo que o facto de não ser legalizado convida a uma maior prudência ou, pelo menos, a alguma restrição que seja. Só por isso votarei “não” embora com poucas certezas e muitas dúvidas. Todavia discordo do fanatismo que se gera à volta de ambas as posições. Os extrememismos aqui não fazem sentido e jogam contra si próprios. O que me parece também estranho? Termos a vida (seja lá ela o que for) a votos…
IM

22
Jan
07

Porque a Filosofia (não) poder ser “secante”(leia-se como se quiser)

Pois é. É isso mesmo. Hoje fiquei inspirada por uma aula onde, a título de brincadeira e, num contexto conhecido, veio à baila a palavra “secante”, palavra esta tão usada, essencialmente por jovens. Ora bem, e tudo isto a propósito da Filosofia, entenda-se!…Então eu resolvi fazer aqui um pequeno jogo/associação de ideias para demonstrar a minha tese de que “A Filosofia (não) pode ser “secante”.
Pois bem; começe-se com uma rápida visita a um dicionário de Língua Portuguesa:
.secante 1- que seca.“Seca” lembra o quê? Lembra falta de água/calor e depois diverge em 3 sentidos: tragédia (seca), aridez (seca excessiva), descontração (calor=férias). Assim, a Filosofia é “secante”: ela remete para os grandes problemas da existência (as tragédias são humanas!); penetra nos terrenos áridos da vida humana (aridez), chega lá, esmiúça-os, tenta torná-los inteligíveis conferindo-lhes algum tipo de sentido; a descontração associada ao calor e às férias é um bom pretexto para reflectir….libertos das necessidades mais prementes, com o tempo mais aberto às escolhas, podemos dedicar-nos à reflexão…
.secante 2- linha ou superfície que corta; (na origem,siccare=cortar). lembra o quê? O que corta modifica, “magoa”, torna diferente; a filosofia “corta” com os nossos preconceitos, as ideas-feitas, corta com a concordância sonolenta com que acenamos aos mundo, corta com a nossa pretensão de coincidência com o mundo, “magoa” as nossas frágeis ilusões que se tornam mais fortes depois do “corte”; corta e ao cortar deixa uma cicatriz, a marca…
. secante 3- (adj.) que importuna. Lembra o quê? A filosofia “importuna-nos” porque nos abana, nos obriga a confrontarmo-nos com as nossas verdades e com o mundo cujo tecido julgamos conhecer. Incomoda, por isso.
Bem, penso que já chega!
Agora, parece não ser mais problema dizer que a Filosofia (não) é secante, pois não?
😉
IM

21
Jan
07

A pobreza

“A pobreza nao é um fenómeno natural. É resultado da acção humana e pode ser superada com as acções dos seres humanos”

Nelson Mandela

19
Jan
07

Everwake

dark.jpg

Somniferous whisperings of scarlet fields
Sleep calling me and my dreams are wondrous
My reality abandoned (I traverse afar)
Not a care if I never wake

Anathema- Everwake

IM

18
Jan
07

Basta

circo1.png
Basta de sofrimento gratuito (há outro?), de abuso…este fim-de-semana vai estar aqui, mesmo perto de minha casa, um circo…um circo daqueles horrendos em que as palhaçadas estão tingidas de dor e infelicidade, de olhos tristes e vazios de animais desligados do seu habitat, roubados à vida e condenados a maus tratos, a sofrimento, tudo à conta da suposta diversão macabra, própria do Homem. Como é possível que em pleno século XXI, depois de todos os pogressos da Etologia, depois de tudo o que temos vindo a saber sobre as vidas dos animais, ainda “sustentarmos” circos deste tipo? Ficamos tristes? Abanamos a cabeça? Dizemos todos de consciêcia tranquila “eu não contribuí para aquilo”?
Infelizmente, os animais precisam de muito mais de nós do que apenas isso! Precisam que divulguemos o que se passa lá dentro, que alertemos as pessoas para a triste realidade dos circos…os animais precisam que NÓS façamos alguma coisa por eles…
Às vezes sinto-me um estranho marciano a tentar compreender o planeta Terra…falo com as pessoas, alerto-as, distribuo folhetos e algumas olham-me como se eu fosse verde, tivesse antenas, olhos grandes e amarelos!….
Os animais choram o nosso silêncio, a nossa condescendência…BASTA!!!!
http://www.tvanimal.org/index.php?option=com_content&task=view&id=22&Itemid=43

IM

10
Jan
07

Impossible

Impossible

10
Jan
07

Nada é simples

Todas as semanas lá levo eu uma nova máxima para cada aula. São sempre máximas/pensamentos de outrém… agora vou deixar aqui uma minha, que me surgiu de repente, hoje, enquanto conduzia ao som de uma música inspiradora: Sunset 28 (Beseech)…

Nada é simples. A simplicidade só pode habitar num olhar desinteressado e acrítico. A complexidade é o pano de fundo de qualquer leitura séria daquilo a que podemos chamar “realidade”.
Onde vemos simplicidade, não vemos. Mas não vamos confundir “complexidade” com “confusão”, de modo algum…essencialmente porque a confusão é, com frequência, o resultado directo das visões simplistas e simplificadas. A complexidade é, aqui, sinónimo de interioridade, conhecimento, profundidade…

Pronto..já tive aqui o meu “momento de glória” lançando aqui uma máxima que, espero, os meus queridos alunos (principais utilizadores deste blogue) não deixem passar…em branco, entenda-se…

I. Maia